A vida gay nos anos 80 e 90

Hoje assisti novamente o filme “Philadelphia” com Tom Hanks, Denzel Washington e o iniciante, na época, Antonio Bandeiras. Rever o filme foi experienciar sensações que vivi naquela época, pré-adolescente, em que a homossexualidade era notada de maneira bem diferente do que é hoje.

Os jovens gays nascidos no começo dos anos 90, hoje com seus 18 a 20 anos e leitores do MVG não conheceram o “mundo” dos anos 80 e 90, e como era ser homossexual naquela época. Um filme que retrata de maneira humana as situações que os homossexuais viviam naqueles anos é o “Philadelphia”, com o então jovem Tom Hanks.

Filme gay - Philadelhia com Tom Hanks

A história narra o desempenho profissional de Andrew Beckett (Hanks) em um dos mais renomados escritórios de advocacia da Filadélfia. Desempenho ascendente até o momento que a descoberta da AIDS e, diretamente, da homossexualidade derruba Beckett de sua ascensão, levando a história às bancadas dos tribunais, de maneira simples e envolvente: Beckett X Sociedade, representada pelos sócios do escritório de advocacia.

Naquela época, AIDS e homossexualidade eram quase sinônimos. Hoje a coisa anda bem diferente. Diferente porque, no Brasil, de cada homem, duas mulheres tem o vírus HIV. Diferente porque os gays que vivenciaram a perda de amigos e colegas pela doença passaram a se preservar com muito cuidado e, hoje, o descuido está meio solto novamente. Em 20 anos os novos medicamentos “seguram” a doença a ponto do indivíduo ter uma vida normal e prolongada e, isso, acaba deixando as pessoas menos atentas com um “bicho” que não tem cura.

Diferente porque a briga da homossexualidade VS. sociedade está menos acirrada. Por mais que a gente reclame que nos dias de hoje ainda existam grandes dificuldades e o preconceito, quem tem a referência dos anos 80 e 90 sabe o tamanho da dificuldade naqueles períodos. Aliás, muitas das conquistas adquiridas hoje são frutos de uma briga grande de gente que, lá atrás, resolveu peitar e nem se quer pensamos ou damos conta.

Eu era um “pré-aborrecente” naquela época. Mas tenho amigos gays que formaram as primeiras “Paradas GLS”, com 100 ou 200 pessoas que realmente tinham uma bandeira para ser erguida. Haviam valores políticos, sociais e uma necessidade de romper com as barreiras do preconceito. Bem ou mal, a Parada de hoje é uma monstruosa festa de carnaval gay que acontece uma vez por ano. Nada ou praticamente nada tem a ver com um manifesto ideológico.

O post do momento tem até um ar saudosista (ou velho-chato). Mas acontece que as preocupações hoje mudaram. E essas mudanças trouxeram muitas coisas boas também. Levamos a vida de uma maneira mais leve, sem ideologias e sem apegos. Brigamos menos e sorrimos mais com uma bebida na mão e os olhos a caça. Focamos muitas energias no trabalho, colocando relacionamentos no patamar dos dilemas da vida e, parece que, ter dilema de relacionamento dá até um tipo de prazer; gente viciada em dilema de casos.

Vivemos em um novo universo conectado à tecnologia, à facilidade de comunicação e à agilidade da exposição. Nunca o lixo foi tão cultuado, nunca o lixo foi tão lucrativo.

Mas isso não é responsabilidade minha, nem sua. O mundo novo traz tantas coisas diferentes ao nosso alcance, traz informações de todos os tipos e gêneros que a gente pode escolher o que vai poder ficar no “desktop”.

Poderia terminar esse post com uma sisudez dos meus quase 35 anos. Poderia ser do tipo velho, querendo dizer que a minha época de adolescente era mais legal ou desafiador do que é hoje. Mas ainda não chegou esse momento (que chega para todos).

O que é certo é que esse mundo de hoje de Michel Teló, Big Brother, Mulher Melancia e Luiza também oferece mais possibilidades. Basta optar o que passa para a memória Flash.

O poder de escolha é ótimo. Vivemos esse momento e devemos, com esperteza, saber exerce-lo, inclusive, quando o assunto é a nossa sexualidade (embora sejamos hábeis com as coisas que o mundo nos oferece, mas perdidos com as coisas que estão dentro da gente).

Se entusiasmar demais com esse mundo só traz um problema: a gente se preocupa e responsabiliza demais o que rola “lá fora” e esquece um pouco de desenvolver o acontece por dentro.

Um cutucão no final sempre é válido! :P